terça-feira, 28 de abril de 2009

Sombras de sede e fome


Quero dizer de minha sede
Quero dizer de minha fome
preciso dizer,
pois sem ti sou mutilado,
tenho medo da sorte,
sou intolerável.

Se não sou pedaço de teu passado
sou noite sem vida,
guerra sem resistência,
perdido sem lucidez.

Se não pertenço ao teu presente
sou mar sem fúria,
sou luto de dor,
língua sem pátria,
sou promessa vazia.

Sou deserto - árido e sem luz,
sou quarto sem sono, sem amor,
sou o ódio de muitos nomes.

És a única água onde enxergo meu semblante.
És o único alimento que sacia minh'alma.
Não consigo calar a fome e a sede
que me prende a ti.

Perdoas por este amor revolucionário.
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uma imagem de El Silencio

4 comentários:

so lonely disse...

todo o amor pode ser revolucionário mas raros o são.

mateo disse...

Vá lá uma pessoa aperceber-se das tuas camuflagens... clandestinas.
Parece mesmo o destino do clã a que pertences.
Que tal... "clãDestinaMentes?"
Abreijo.

Tchi disse...

É mesmo uma revolução de amor.


Beijinhos.

maria azenha disse...

excelente.

***
mariah